O FAROL

Defesa da fé, opinião… a Palavra de Deus o meio, as pessoas o fim. Contatos sanleon21@hotmail.com Leonel Eliseu Valer dos Santos

20.7.14

As fontes e o laço

“O temor do Senhor é fonte de vida, para desviar dos laços da morte.” Prov; 14; 27

Uma fonte é geratriz de um bem precioso que flui de modo ininterrupto. O temor do Senhor ( reverência santa, reconhecimento de autoridade )  é posto aqui como fonte de vida, em oposição aos laços da morte. Manancial existe para dar-se em prol da necessidade de outrem; laço, para caçar algo pra si. Assim, aquela gera um bem, esse, busca tomar  de modo ardiloso o que lhe não pertence. Um caçador cuida de suas necessidades; uma fonte supre necessidades alheias.

Então, o temor do Senhor há de obrar em nós algum cuidado com as carências de terceiros, antes, que com as nossas. Claro que, quem acende uma luz é o primeiro a ser iluminado; desse modo o que teme ao Senhor usufrui para si, a vida, antes de comunicar a outros.

Mas, por que a morte armaria laços? Tem necessidade de matar? Não. Quando diz laços da morte está adjetivando os laços, não, identificando o caçador. O interesse na difusão da morte é do pai da mentira, o ladrão da vida que o Salvador denunciou: “O ladrão não vem senão a roubar, matar e  destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.” Jo 10; 10

A figura do laço do passarinheiro é usada tanto para identificar o agir do inimigo, quanto de seus servos. Porque ele ( O Senhor )  te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa.” Sal 91; 3 “Porque ímpios se acham entre o meu povo; andam espiando, como quem arma laços; põem armadilhas, com que prendem os homens. Como uma gaiola está cheia de pássaros, assim as suas casas estão cheias de engano; por isso se engrandeceram, e enriqueceram;” Jr 5; 26 e 27 Qualquer semelhança com políticos e mercenários religiosos de nossos dias não é mera coincidência.

Assim, se o laço é um obreiro de morte, também o é de grandes riquezas nas mãos dos laçadores, como vemos no exemplo supra. O início duma caminhada pode dissimular seu fim. “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte.” Prov 14; 12 Não que a riqueza, o desfrute de posses seja em si algo mau; mas, se for de modo divorciado do Senhor será uma vastidão desértica, privada de vida.

Quando Calebe deu a sua filha e genro a posse de um campo assim, Otoniel instou que sua esposa pedisse algo mais para que os bens fizessem sentido. “E sucedeu que, indo ela a ele, a persuadiu que pedisse um campo a seu pai; e ela desceu do jumento, e Calebe lhe disse: Que é que tens? E ela lhe disse: Dá-me uma bênção; pois me deste uma terra seca, dá-me também fontes de águas. E Calebe lhe deu as fontes superiores e as fontes inferiores.” Jz 1; 14 e 15 Tanto quanto uma vasta extensão de terra não faz sentido sem água, o domínio de muitos bens sem temor do Senhor, não passa de uma ostensiva queda nos laços da morte.

Quando o relato afirma que Calebe deu  fontes superiores e inferiores, refere-se, ao relevo onde as águas brotavam. Mas, Deus tem fontes superiores, espirituais, que devem ser buscadas antes que as inferiores, materiais. Inverter essa ordem não faria o menor sentido. Pleitear bens antes da vida seria como pedir em favor de um morto. A questão primordial é a regeneração da vida.Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” Jo 3; 3

Certo é que Deus faz a chuva e o sol incidirem sobre justos e injustos, como demonstração de seu amor e graça sobre todo a criatura. Entretanto, bênçãos específicas demandam relacionamento com Ele, que vai além da situação de criatura. O novo nascimento em Cristo nos coloca na condição de filhos adotivos; isso traz privilégios e responsabilidades especiais. O privilégio maior é que livra dos laços da morte; a responsabilidade mor é que devemos andar no temor do Senhor.

Fazendo isso, nem nos ocuparemos tanto das fontes inferiores, dado que, Ele ordenou: “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” Mat 6; 33

Afinal, assim como águas nascendo em lugares altos terminam irrigando também os vales, uma vida espiritual plena acabará sendo plena em tudo. Se bênçãos materiais vierem trarão proveito pra  muitos necessitados; se privações concorrerem, será pra que nossa constância na adversidade mane riquezas superiores aos que contemplam de fora e precisam aprender a escala de valores do céu.

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19.7.14

Você sabe contra quem está lutando?

“Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar.” I Cor 9; 26

Paulo usou a figura de um boxeador treinando, coisa comum em Corinto naquele tempo, para ilustrar alguém que combate adversário imaginário, a “coisa incerta.” Noutra parte identificara adversários espirituais como alvo de nossa luta; “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” Ef 6; 12

Claro que para sermos bem sucedidos numa peleja carecemos   saber contra quem estamos lutando; conhecer estratégias, pontos fortes e vulneráveis. Acontece que esse ensino tem sido muito mal entendido e dado azo à propalada “Batalha Espiritual” que, mesmo ufanando-se de grandes feitos dá golpes no ar, o quê eximiu-se de fazer, o apóstolo.

A peleja pode dar-se em dois âmbitos: pela manutenção do território conquistado; ou, anseio de novas conquistas.  No primeiro caso nossa postura é defensiva; no segundo, de ataque. O “território” conquistado por Cristo em cada salvo é precisamente sua salvação. A perseverança na fé mesmo em face às ciladas malignas é a necessária defesa. Nesse caso, há um componente de carne e sangue, o corpo, cuja inclinação é favorável ao pecado. Assim, depois de dizer que não golpeava o ar Paulo anexou: “Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado.” I Cor 9; 27

Claro que isso não era exclusividade sua, antes, identificou todos os salvos no mesmo barco. “E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.” Gál 5; 24 A postura ofensiva visa a conquista de outros para ingresso no Reino.

Duas coisas precisam ser bem entendidas antes de sairmos ao combate; uma: Não existe salvação compulsória; será sempre arbitrária. Nada vale orarmos por alguém, expulsarmos espíritos maus que lhe assediam se esse alguém não submeter livremente sua vida ao Salvador.  Outra: Isso de “amarrar” espíritos “territoriais” não faz o menor sentido, uma vez que, liberdade para  tentar, até oprimir, é facultada por Deus. Fizeram com o próprio Senhor, por que não fariam conosco?  

A peleja se dá com espadas específicas. A Palavra de Deus é a Espada do Espírito Santo; eufemismos, sofismas, enganos, nomes oblíquos da mentira são munições dos demônios; o mesmo Paulo identificou. “Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne. As armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus para destruição das fortalezas; destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo;” II Cor 10; 3 a 5

Vemos que a obediência sucede ao entendimento, o que anula a pecha gratuita que a fé é cega. Aliás, temos aqui outro estratagema inimigo; cegar entendimentos recrudescendo a incredulidade. “Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” II Cor 4; 3 e 4

Embora os desdobramentos sejam múltiplos, fé x incredulidade; luz x trevas; salvação x perdição; etc. a essência da batalha será sempre verdade contra mentira. Se, para identificar uma cédula falsa demanda que alguém conheça bem a verdadeira que ela imita, também a Palavra de Deus conhecida, vivida e sobriamente interpretada “blinda” contra ataques malignos.

Muito ouvi mensageiros dizerem: “Não aceite acusação; acusação é do diabo”. Ora, ele acusa perante Deus, até sem motivos, como fez com Jó; todavia, se o fizer em minha consciência quando erro, devo concluir que  se converteu e assiste à obra de Deus.

Quem inquieta nossas consciências quando falhamos é o Espírito Santo; para tal não há exorcismo nem objeção possível; antes, arrependimento e confissão para sermos perdoados. Pois, pior que dar golpes no ar por não identificar o inimigo seria blasfemar atribuindo “qualidades” dele ao Santo.

Quando líderes hipócritas pediram que Jeremias orasse para saber por que  Babilônios lutavam contra eles a resposta de Deus foi surpreendente: “eu pelejarei contra vós com mão estendida e com braço forte, e com ira, e com indignação e com grande furor.” Jr 21; 5 Deus estava pelejando; os Caldeus eram só instrumentos. Isaías reforçou: “Mas eles foram rebeldes, e contristaram o seu Espírito Santo; por isso se lhes tornou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles.” Is 63; 10

Antes de sairmos bravateando, pois, olhemos no espelho e, se identificarmos sujeira lavemo-nos.

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17.7.14

Vitória; um bem, mal versado

“A estultícia está posta em grandes alturas, mas os ricos estão assentados em lugar baixo. Vi os servos a cavalo, e os príncipes andando sobre a terra como servos.” Ecl 10; 6 e 7

Embora tenhamos dificuldade de separar o ser, das circunstâncias, Salomão os alista aqui como não associados necessariamente. É possível estar em lugares altos, de posse de riquezas, e, ainda assim, ser estulto. Por outro lado;  andar a pé e pertencer à nobre estirpe.

Mesmo que seja proverbial em nossa cultura dizer que uma pessoa não vale pelo que possui, amiúde,  trata-se a tal como se valesse. O Salvador foi claro ao denunciar tal distorção. “Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui.” Luc 12; 15 Se houve um Príncipe, aliás, que desfilou desprovido de aparatos e bens, esse foi Ele. “E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis, as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.” Luc 9; 58

Isaías dissera mais: “Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos. Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, não fizemos dele caso algum.” Is 53; 2 e 3

Contudo, perguntemos a alguém ao nosso lado, em quê consiste vencer na vida, pra identificarmos a filosofia que impera. A receita não fugirá muito de conquistar um diploma, bens, renome, e, se possível, ser feliz. Que há de errado com isso? Tudo. O conceito distorcido de vitória, a maximização do efêmero, quando não, supérfluo, em detrimento dos bens vitais. O acúmulo de posses não deveria obrar mais que facilitar os meios, mas, acaba tornando-se o fim. O conhecimento não é buscado por sua nobreza, seu fruto à alma; antes, pelo que tem de mais raso, quanto paga, para deleite do corpo. O diploma é perseguido pelo emprego, esse pelo salário, o salário pelo conforto; o conforto, como meio de ser feliz.

Dons especiais para a arte, esportes,  colocam uns em lugares altos mais rápido que o caminho acadêmico. A política, cuja demanda maior é saber iludir com a retórica, também, “canoniza” estultos e coloca nos pináculos sociais.

Ocorre-me agora um provérbio hebraico que diz: “A grandeza foge de quem a persegue, e persegue quem foge dela.” Claro que essa máxima atina à grandeza real, não aparente.

Nada há de errado, antes, parece hígido  tentarmos ser vencedores no palco da vida; entretanto, o quê conceituamos como vitória faz toda diferença. Que a sociedade secular seja hedonista, materialista, vá lá; mas, a coisa assume aspectos enfermiços quando o conceito distorcido é ensinado nos púlpitos, o que muito acontece.

Ora, o maior difusor da mensagem de Cristo – Paulo - cantou sua vitória quando condenado. A Epístola aos Hebreus coloca o combate aos maus hábitos, vícios, como alvo pelo qual convém resistirmos até à morte. “Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado.” Heb 12; 4 Como mesmo a ameaça de morte não fora suficiente para fazê-lo pecar, pode dizer com verdade o que disse: “Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia;…” II Tim 4; 6 a 8 Seu escopo de vitória era consumir-se aqui pela obra de Cristo, com expectativa de coroa no porvir. Todo o que se diz cristão deveria imitar tal exemplo.

Que vale a filosofia rasa que do mundo nada se leva, em nossos lábios, se, usamos todos os meios para aumentar nosso monte de bagagem que ficará? Davi sentenciou: “Não temas, quando alguém se enriquece, quando a glória da sua casa se engrandece. Porque, quando morrer, nada levará consigo, nem a sua glória o acompanhará. Ainda que na sua vida ele bendisse a sua alma; e os homens o louvaram, quando fez bem a si mesmo, irá para a geração de seus pais; eles nunca verão a luz.” Sal 49; 16 a 19

É próprio do ser humano buscar o quê lhe falta; ou, pensa faltar. Não podem desejar lugares altos aqueles que já os possuem; apenas, são concitados a demonstrarem uma ética coerente com o principado que herdaram. “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus.” Col 3;1

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13.7.14

O “endereço” do mundo


“Não são do mundo, como eu do mundo não sou.” Jo 17; 16

Jesus situou os discípulos como não sendo do mundo, o que enseja algumas reflexões. O que é mundo? Eis aí uma questão cuja resposta não cabe numa sentença. O conceito é muito difuso. Pode-se ter o mundo dos esportes, das artes, da política, do cinema… Platão identificava o berço da razão pura como o Mundo das Ideias, etc.

Seja o que for que o Salvador tinha em mente, era  mau aos seus olhos, entre outras coisas, por odiar quem recebera Sua Palavra. “Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo.” V 14

Conheci uma mentalidade evangélica  extremamente simplista do quê era andar segundo o mundo. O habitat dos salvos não deveria exceder a família, trabalho e igreja; os demais ambientes, estádios, cinemas, teatros, bailes, etc. eram ambientes do mundo que deveríamos evitar. Música só evangélica, as demais são do mundo. Será que é isso?

Qualquer que seja o significado de separar-se do mundo, certamente não é  geográfico por uma simples razão, seria impossível. Exceto, se Deus fizesse conosco como fez com Enoque e Elias; arrebatasse para si. Jesus deixou claro na mesma oração. “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.” V 15

Há casos em que devemos nos separar; analisemos o salmo primeiro;  “Não anda segundo o conselho dos ímpios”; isso é uma separação moral, de valores; “não se detém no caminho dos pecadores;” aí, uma profilaxia espiritual. Não fica em companhia ímpia além do necessário, circula entre os tais, mas, não se detém a ponto de fazer daquele seu ambiente; “não se assenta na roda dos escarnecedores”; aí, separação física mesmo. Mas, dum ambiente tal, que impera o escárnio, a zombaria; isso é impiedade deliberada, onde insistir em pregar seria lançar pérolas aos porcos, o que o Mestre desaconselhou.

Assim vemos que a separação do mundo preceituada é conceitual; antes, de valores que locais. Tiago equaciona a adoção de práticas mundanas pelos crentes a adultério espiritual. “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus?” Tg 4; 4 Então, se não podemos achar uma definição satisfatória de “mundo”, temos traços de seu caráter. Inimigo de Deus.

João amplia: “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida; não é do Pai, mas, do mundo.” I Jo 2; 15 e 16 Cobiças naturais e soberba, também estão no DNA do mundo que se opõe ao Santo. Quando diz a Palavra que Deus amou o mundo ao dar Seu Filho refere-se às pessoas do sistema, não ao sistema em si.

A separação, também chamada de santificação deriva de levarmos cabalmente a sério a Palavra, o que, ainda consta na referida oração do Salvador;Santifica-os na  verdade; a tua palavra é a verdade.” V 17 Assim, qualquer ensino que contrarie, perverta, desvirtue a Palavra de Deus, mesmo que desfile em púlpitos ou canções góspeis, é do mundo.

Aliás, um famoso hino chamado “Sabor de Mel” é cantado por muitos evangélicos sonolentos que não percebem que os valores defendidos na letra são do mundo. O triunfo  na terra, o sucesso. Alguém que sofreu e triunfou e agora vais se vingar de quem o não ajudou na hora difícil; tal será ignorado pelo “vencedor.” Mais, a congregação é mera plateia, o púlpito vira palco, local de show. Não estou julgando pessoas, mas, analisando uma letra cuja inspiração, seguramente não brotou do Espírito Santo, pela contradição de coisas que esposa.

De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim. Porventura deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa?” Tg 3; 10 e 11 Nós incorremos nisso, mas, inspirados pelo Santo, não.

Em suma, não somos do mundo, embora, devamos amar seus habitantes e à medida do possível, iluminar. A separação das pessoas aconselhada refere-se aos crentes hipócritas. “Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais.” I Cor 5; 9 a 11

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12.7.14

O amor no divã

“Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.” Rom 5; 8

Uma coisa muito propalada e pouco entendida é o amor. A maioria das pessoas trata como moeda de troca; algo que se dá em face à justa contrapartida.  Contudo, no exemplo do Santo, acima, ele deu o primeiro passo por amor, em direção a quem não tinha a mínima condição de retribuir; “sendo nós ainda pecadores”.

Ontem deparei pela enésima vez com a frase que ilustra  esse “amor” mercantil que muitos vivem. “Que Deus te dê em dobro tudo o que me desejares.” Noutras palavras: Deseje-me  o bem, senão, ai de ti. No fundo desejei que o autor conhecesse melhor ao amor de Deus, não pra receber o dobro, ainda que seria ótimo, mas, para que entendesse mesmo que tardiamente, em quê consiste o vero amor. 

Amar aos belos do cinema, às feras dos esportes e da música não é amor; mera idolatria. À medida que o talento desses produz o que gostamos, no fundo, amamos  nós mesmos.

O salvador censurou à troca de afetos e desafiou os Seus a algo melhor. “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam; orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” Mat 5; 43 a 48 Infelizmente, muitos “cristãos” saúdam do seu jeito, com seu sotaque eclesiástico, aos irmãos e ignoram aos que não são do rebanho, que vergonha! 

Nos rudimentos da Obra de Deus na Terra, quando a manutenção da vida  dependia de guerras, odiar aos inimigos era um “doping” necessário, ainda que, deveriam tratar dignamente eventuais presos. Mas, na Plenitude dos tempos, após a vinda de Cristo, tais coisas perderam vigência. A simples menção do novo torna obsoleto, o antigo. “Dizendo Nova aliança, envelheceu a primeira. Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está de acabar.” Heb 8; 13

A mesma idolatria que cultua aos grandes do mundo se pode expressar em nosso meio, na igreja, quando o ídolo são os dons espirituais, por exemplo. “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. Ainda que tivesse o dom de profecia e conhecesse todos os mistérios, toda a ciência; ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.” I Cor 13; 1 e 2 Paulo minimizou a relevância de dons; de línguas, profecia, fé… tornando-os frágeis se seu motor não for o amor. 

Estava havendo disputas na igreja, mau exercício dos dons. Ele deu diretrizes pormenorizadas e sintetizou: Dons são bênçãos; o amor é a excelência. Disse do seu jeito, claro! Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente.” 12. 31 Assim, ele  condicionou o uso de todos os dons ao amor. 

Após fez uma descrição insuperável do sentimento: “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” vs 4 a 7

A Lei da Nova Aliança foi reduzida a dois mandamentos; na verdade, um; amor. Dois alvos distintos. “…Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.” Mat 22; 37, 39 e 40

Claro que essa redução não induz a um simplismo como se bastasse dizer: Eu amo. Precisa ser demonstrado. “Se me amais, guardai os meus mandamentos.” Jo 14; 15 Essa contrapartida, a fidelidade podemos oferecer a Deus. Senão, seguirá nos amando, mas, punirá. Como um cônjuge deixa outro infiel e se divorcia, pois a justiça tem reclames que sufocam o amor.

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11.7.14

O Monte de Deus

“E acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte da casa do Senhor no cume dos montes, se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações. Irão muitos povos e dirão: Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor.” Is 2; 2 e 3

Algumas coisas nos desafiam nessa profecia. Primeiro temos algo fixo; “se firmará o monte da casa do Senhor”; depois o monte se move; “se elevará por cima dos outeiros…” adiante torna-se centro de peregrinação mundial; “muitos povos dirão, vinde subamos ao monte do Senhor”; finalmente, tal monte dá origem à Lei, mesmo a tal já tendo sido entregue a Moisés séculos antes. Tentaremos entender  segundo a graça de Deus.

Tratando-se de um monte, literalmente, não pode ser firme e se mover; crescer ao mesmo tempo. Acontece que devemos comparar as coisas espirituais com as espirituais, como ensina Paulo. Desse modo, o monte pode ser constante, perene, imutável, e ainda crescer, à medida que amplia o conhecimento; difunde sua influência.

Daniel quando recebeu interpretação do sonho real que desvendava o rumo dos reinos da Terra viu o Medo-Persa, Grego, Romano, até a instauração do Reino de Deus com a Vitória de Cristo. Aqueles foram descritos com figuras de animais ferozes, o de Cristo, de modo específico: “Estavas vendo isto, quando uma pedra foi cortada, sem auxílio de mão, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro, e os esmiuçou. Então foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os quais se fizeram como pragana das eiras no estio e o vento os levou;  não se achou lugar algum para eles; mas a pedra, que feriu a estátua, tornou-se um grande monte; encheu toda a terra.” Dn 2; 34 e 35

Então, Jesus Cristo é esse monte firme, imutável: “Passarão os céus e a Terra, mas, minhas palavras não hão de passar”. Ao mesmo tempo cresce até encher toda a Terra com sua mensagem. Assim, a peregrinação das nações a Ele não resulta em movimento geográfico; antes, espiritual. Não que o Eterno não tenha escolhido Israel, ou, tenha anulado os planos grandiosos para Jerusalém; apenas é a interpretação racional da passagem.

Em Cristo, Judeus e gentios estão no mesmo barco. “Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz,” Ef 2; 14 e 15

Parece que a causa da inimizade era a Lei, ideia que Paulo defende. O fato de ter recebido a Lei de Deus os fazia um povo especial, sobretudo, para viver e ensinar os preceitos do Eterno. Contudo, Israel não cumpriu isso; apenas, achava-se nação Santa, e os gentios impuros. Apesar da promessa a Abraão, “Em ti serão benditas todas as famílias da Terra”, havia um separatismo entre judeus e os demais povos. Paulo afirma que Cristo desfez.

Contudo, há a citação literal do monte de Sião de onde, afirmou o profeta, sairia a Lei. Mas, não fora dada no Sinai? Sim. Mas o escopo de Isaías era o sacerdócio de Cristo não de Levi. “Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei.” Heb 7; 12

Sim, embora Cristo seja a personificação da Graça de Deus, trouxe uma Lei também. Tanto que causa rivalidade entre judeus ortodoxos e cristãos até hoje. “Assim que, quanto ao evangelho são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição amados por causa dos pais.” Rom 11; 28

Então, a Lei de Cristo baseada no amor a Deus e ao próximo deve difundir-se por toda Terra, qual o Monte de Daniel; isso, os ortodoxos não entenderam ainda. Que Deus os ilumine!

O Salvador cumpriu o que nos era impossível, a Lei; e fez um caminho possível aos Salvos, assessorados pelo Espírito Santo. Saiu de cena mandando cumprir seus preceitos e ensinar. “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado;” Mat 28; 19 e 20

Claro que há muita falsificação em Nome do Rei, mas, os que O servem deveras, iluminam e são visíveis. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte;” Mat 5; 14



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10.7.14

Devemos orar a Palavra de Deus?

“E a sua palavra não permanece em vós, porque naquele que ele enviou não credes.” Jo 5; 38

Jesus estava dizendo que a Palavra de Deus não permanecia nos  ouvintes porque eles não criam Nele, o Enviado. Que será que Ele pretendia com “permanecer”? Os dois versos que seguem sugerem entender o sentido e agir conforme. “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam; e não quereis vir a mim para terdes vida.” 39 e 40 Lidas por bons entendedores, as Escrituras deveriam conduzir a Ele.

Qualquer cristão minimamente esclarecido concordará que, entender a Palavra de Deus e agir conforme é o que Ele ainda espera de nós. Só que alguns, infelizmente, confundem receita com remédio.

Cheio está o universo virtual com ensinos que devemos “orar a Palavra”. Um dos textos evocados em defesa disso é: “Se vós estiverdes em mim e minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito.” Jo 15; 7 Ou, uma oração de Davi, em agradecimento depois de promessas grandiosas que o Eterno lhe fizera; o rei orou: “Faze como disseste.” Ora, era uma promessa específica, direcionada a ele e sua descendência, como oraria diverso?

Tais mestres ensinam que a Bíblia é um livro de cheques; basta pegarmos uma promessa qualquer e crermos, que nossa fé acabará descontando no “Banco do céu”. Uma favorita é Filipenses 4; 19: “O meu Deus, segundo suas riquezas suprirá vossas necessidades em glória por Cristo Jesus.” Ora, não precisamos ser teólogos, apenas, bem intencionados e atentos ao contexto para entender que essa promessa não nos diz respeito. Basta ler para ver que Paulo está agradecendo por uma oferta generosa que recebera da igreja de Filipos, e assegurando que Deus os recompensaria por aquilo; nada a ver conosco.

Promessas que nos dizem respeito não trazem pronomes pessoais. Vós; é coletivo, mas, específico, para comunidade de Filipos. A nós chegam promessas apoiadas em pronomes indefinidos, tipo: “Se alguém quiser fazer a vontade Dele Conhecerá…” “Todo aquele que Nele crê, não pereça…” “ Se alguém está em Cristo nova criatura é…” etc.  Sempre será o predicado, a condicionante, que identificará o sujeito a quem a promessa se destina. Tentar pegar carona em promessa alheia é “preencher cheque” sem fundos, para usar a alegoria deles.

Quando o Mestre diz que Suas Palavras devem estar em nós, não tenciona uma citação “ipsis litteris”, antes, a essência do ensino. Todos do ramo costumam dizer que orar é falar com Deus; e que a Bíblia é Deus falando conosco. Ora, como falarei com Deus com Suas Palavras invés das minhas? Quando Jesus ensinou a oração conhecida como Pai Nosso era só um modelo. A Santificação do Nome, a vinda do Reino, a submissão à Vontade Dele, antes das minhas coisas, que incluem perdoar antes de pedir perdão, etc. Apenas uma ordem de prioridades, não um mantra que pode ser repetido metálico, sem coração.

Ele mesmo, aliás, condenou as repetições, as ditas rezas, que chamou de fracas, vãs. “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos.” Mat 6; 7 

Deus não atende orações graças ao conteúdo ou à forma das palavras. Antes, à sinceridade da fala e à fé anexa. “E buscar-me-eis, e me achareis quando me buscardes com todo o vosso coração.” Jr 29; 13 “E bem sei eu, Deus meu, que tu provas os corações e que da sinceridade te agradas;…” I Cr 29; 17 etc. Coração contrito, verdade, vale mais para Deus que palavras belas, mesmo que religiosas, como vimos no exemplo do Fariseu e do Publicano.

Se alguém trata à Bíblia como mero banco de promessas, não deve esquecer que há muitas promessas de juízo contra os egoístas, materialistas, infiéis. Sua Palavra em nós faria que buscássemos Seu Reino e Justiça; mas, frequentemente usam pelas demais coisas que Ele disse que nos seriam acrescentadas.

Essa lorota de ficar repetindo para mim mesmo trechos das Escrituras mesmo que o coração não creia é engano, artifício. A fé vem pelo ouvir, não por repetir a Palavra. Ademais, o fim da Palavra é muito mais nobre que coisas comezinhas que se ensina a buscar. “Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.” Jo 6; 68 A Palavra de Deus veio para salvar, moldar, regenerar nosso ser; não para alavancar cobiças na carne.

Coloquei um comentário educado sob um vídeo desses no You Tube discordando e expondo as razões; foi “moderado”, ou seja: Apagado. Pior que ser dono da verdade é quando tal “verdade” é mera idiossincrasia, como razão de bêbado.

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9.7.14

7 a 1 para nos desintoxicar

“Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor nosso Deus.” Sal 20; 7

Temos nesse canto o contraste entre os que faziam a guerra apostando apenas em sua logística, e outros que confiavam, sobretudo, em Deus. Há os que pensam ser Ele um Deus de religião, que não mete-se em política, tampouco, esportes. Onde Sua Palavra ensina isto? “Quem é como o Senhor nosso Deus, que habita nas alturas? O qual se inclina, para ver o que está nos céus e na terra!” Sal 113 ; 5 e 6 Se Ele se inclina para ver o que passa na Terra, tudo o que passa faz parte de Seu interesse.

Tenho lido analistas tentando explicar a catastrófica derrota da Seleção Brasileira para a Alemanha por 7 x 1 e nenhum me convence. Uns apontam a saída de Neymar e Tiago Silva. Ora, contra Chile e Colômbia Neymar foi comum, apesar de ter brilhado em outras ocasiões. Tiago, não se nega sua excelência, mas, Dante está no mesmo nível.

Outros apontam a escalação de Bernard, em vez de um volante qualquer, como a causa, algo que não convence também. No segundo tempo entraram e nada mudou, aliás, a Alemanha não quis mais forçar mesmo assim, fez  dois.

Seria então a Alemanha uma máquina? Não. É um bom time apenas, normal. Teve muita dificuldade para eliminar a Argélia na prorrogação; venceu aos Estados Unidos apenas por um a zero, e sequer conseguiu vencer Gana. Então pode muito bem perder o título, tanto para Argentina quanto Holanda, quem passar.

Certo é que nossa campanha não era nada animadora. Vencemos a Croácia com ajuda do Juiz, pois estava um a um pra lá dos trinta do segundo tempo quando o japonês inventou um pênalty em Fred. Não conseguimos vencer ao México; passamos heroicamente contra Chile e Colômbia; apesar do crescimento dessas seleções, com o devido respeito, mas, não têm tradição alguma no cenário mundial.

Mesmo assim, nossa fraca trajetória não explica a implosão de ontem. Na verdade o futebol tem sido uma droga coletiva que serve para anestesiar a nação que vem sendo inapelavelmente roubada por corruptos obscenos enquanto o Zé drogado canta: “Eeeeu sou brasileeeiro, com muito orguulho, com muito amooor…”

Também sou brasileiro, sobre o amor, não posso evitar; Outro dia quando começou a Copa escrevi um poema que iniciava assim:

A Copa das Copas”, eis o fim da falácia,

Marketing é muito dócil, o fato, hostil;

Minha razão celebrou o gol da Croácia,

O bosta do coração, os três do Brasil…

Quer dizer, mesmo a razão estando “P” com a corrupção, o uso político da Copa, o coração não consegue evitar amar o Brasil.

Entretanto, orgulho é outra coisa, que não deriva do coração amante simplesmente; antes, quem ama e vê a roubalheira, a arrogância, a canonização da safadeza, sente vergonha, invés de orgulho. Houve mortes na Arena Pantanal, no Itaquerão, um viaduto ligado às obras que deveriam estar prontas para a Copa Ruiu,  duas vidas mais se foram, mas a Copa estava fantástica, muitos gols.

A Bíblia ensina que diante da honra vai a humildade, e que Deus exalta os humildes e pune aos soberbos. Se é vero que no passado tínhamos complexo de vira-latas, como disse Nelson Rodrigues, agora, temos complexo de nobres. Não importa o que aconteça, somos os reis, os melhores, o país do futebol.

Tivemos o “Maracanaço” em 50; em 82 nossa melhor seleção de todos os tempos foi eliminada por uma Itália medíocre, e não aprendemos nada. Em 98, lembro uma entrevista do então técnico Zagallo, antes da final; disse: “Ninguém nos tira o Penta”. A França tirou de modo humilhante, com  assinatura de Deus. Dois gols de cabeça do camisa dez, Zidane, número dos mandamentos do Eterno, e a cereja na torta, o terceiro foi marcado por um reserva chamado Emmanuel Petit. Emmanuel sabemos, significa, “Deus conosco” e Petit em francês quer dizer, pequeno. Assim, Deus escolheu os pequenos para humilhar aos arrogantes.

Agora, o ônibus multicolorido da Seleção ostentava a seguinte frase: “O hexa vem aí”. Ora, isso é arrogância máxima, total desrespeito aos adversários. Quem está familiarizado às Escrituras sabe bem a importância do número Sete para Deus. Veja quantas vezes repete-se no Apocalipse, por exemplo.

Então estou convencido que Ele interveio de modo doloroso, por que mesmo não sendo Brasileiro, como dizem, nem se orgulhando do culto à safadeza, nos ama.  Não esqueçamos que ano passado, antes das manifestações de junho, milhares de evangélicos protestaram pacificamente em Brasília, pedindo entre outras coisas, o fim da corrupção. Se, para a necessária cirurgia precisamos estar isentos de drogas, viva a Alemanha! Obrigado Senhor.

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8.7.14

A necessária “transgressão”

“E disse Jesus: Alguém me tocou, porque bem conheci que de mim saiu virtude. Então, vendo a mulher que não podia ocultar-se, aproximou-se tremendo e prostrando-se ante ele declarou-lhe diante de todo o povo a causa por que lhe havia tocado, e como logo sarara.” Luc 8; 46 e 47

Sob vários aspectos essa passagem pode ser analisada. As restrições da Lei de Moisés, para quem tivesse fluxo como ela, por exemplo. “Mas a mulher, quando tiver fluxo, o seu fluxo de sangue estiver na sua carne estará sete dias na sua separação, qualquer que a tocar será imundo até à tarde. E tudo aquilo sobre o que ela se deitar durante a sua separação, será imundo; e tudo sobre o que se assentar será imundo.” Lev 15; 19 e 20

Muitos interpretam mal a intenção da palavra que foi traduzida por imundo; cujo sentido mais exato é impuro, inadequado. Não há qualquer conotação moral, espiritual; antes, num contexto em que se desconhecia vírus, bactérias, Deus ordenou certos ritos de caráter profilático, como a separação de leprosos e outras enfermidades potencialmente contagiosas. Quem fosse tocado por um dos tais deveria se purificar, separar-se por um tempo. Assim, a Lei deixaria a mulher afastada de Jesus e dos demais, contudo, transgrediu. Essa é a razão pela qual temia assumir que fora ela que O tocara.

A maioria dos judeus entendera  a Lei como um fim em si. Do Sábado que fora vertido num ídolo Jesus ensinou: “O Sábado foi feito por causa do homem, não o homem por causa do Sábado.” Assim, a saúde e o bem estar humanos interessam a Deus mais que um rigor legalista indiferente. A “transgressão” da mulher derivava de uma vívida esperança, confiante fé que o Salvador poderia curá-la, como de fato o fez. Segundo a Lei, se fosse Ele mero homem, teria ficado impuro também, após o toque. Entretanto, ela ficou limpa, sã.

Interessante também a “incerteza” do Mestre: “Alguém me tocou.” Claro que Ele sabia quem fora e por quê!  Contudo, deixou no ar, para que ela assumisse. “Vendo a mulher que não podia ocultar-se…” 

Embora aquela fosse uma transgressão virtuosa, agimos assim em todas. Só assumimos se não der para ocultar. A primeira providência, uma vez inaugurada a era da consciência foi tentar ocultar o que passou a incomodar, no caso, a nudez. Duas coisas são necessárias sobre o que anseio esconder; primeiro: Sei que é mau, um erro; segundo: não quero que outros saibam.

Esconder desvios de caráter é relativamente fácil, em se tratando dos homens; absolutamente impossível, em face de Deus. “E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar.” Heb 4; 13 Então, ainda que possamos construir um biombo hipócrita entre nossos erros e a plateia, Deus e nossa consciência saberão plenamente.

O fato é que podemos ser legalistas mesmo “em Cristo”, digo, não derivando nossa crença do código de Moisés. Basta que cumpramos os rituais eclesiásticos requeridos, coisa que podemos fazer com máculas na consciência. A eficácia da redenção de Jesus atinge também aí; “o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo.” Heb 9; 14

Assim, o que foi purificado deveras do fluxo de antigos pecados, não que não cometa mais, mas, como aquela mulher vê que não pode esconder de Deus. De uma consciência em plena atividade, pois, depende a saúde de nossa fé. “Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns rejeitando fizeram naufrágio na fé.” I Tim 1; 19 

Sim, muitas doenças tidas como psíquicas são meras consequências de uma consciência “walking dead”. Digo, viva no sentido que ainda acusa o pecado, não foi cauterizada; morta em face à impotência de reconhecer suas mazelas ante Aquele que pode purificar.

Uma consciência saudável pauta nosso modo de vida, sem dúvida alguma. “Os ímpios fogem sem que haja ninguém a persegui-los; mas os justos são ousados como um leão.” Prov 28; 1 Nem sempre essa fuga do ímpio  demanda movimento do corpo, antes, sofismas, eufemismos, distorções que visam “apaziguar” sem Cristo, os reclames da luz.

Assim como Jesus não forçou aquela mulher à confissão, também é conosco. Naquele caso certificou que sabia, e legou ao arbítrio dela a reação. No nosso não é diferente; conscientiza mediante Sua Palavra, e nos desafia. Infelizmente, a maioria teme mais a crítica humana, que a rejeição de Deus. Naquele caso, sangue fluindo era a enfermidade; no nosso, o fluir de Seu Sangue Bendito, nossa cura. Também precisamos transgredir, contra a multidão que duvida.


criado por ofarol_periodico    10:26:58 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:, , , , , ,

6.7.14

O decreto “soviético” de Dilma

“As palavras dos sábios devem em silêncio ser ouvidas, mais do que o clamor do que domina entre os tolos. Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra, porém um só pecador destrói muitos bens.” Ecl 9; 17 e 18

Quando diz que a sabedoria supera armas de guerra, Salomão  não está excluindo sabedoria como antítese da guerra; apenas cotejando duas eficácias. Mesmo na guerra  a sabedoria dá origem a estratégias que valem mais que muitas armas, como o Cavalo de Tróia, por exemplo. Um pouco antes opõe uma voz a um clamor, como sendo aquela superior a esse, desde que, seja a voz de um sábio, e o clamor de tolos. Assim, a ideia de “vencer no grito”, onde vingar, pagará tributo às paixões, não à razão à sabedoria.

Muitas vezes uma multidão ativista se assemelha a um elefante que pisoteia um cupinzeiro pelejando por alimento aos tamanduás. Destrói em seu barbarismo o que deveria guardar.

A Bíblia está cheia de decisões catastróficas derivadas dos apelos populares, como, a divisão do Reino de Israel quando o jovem  Roboão se aconselhou com a galera; a crucificação de Jesus enquanto a ralé anistiava ao assassino Barrabás; o apedrejamento de Estêvão quando sua mensagem contrariou interesse dos líderes que incitaram o povo contra, etc.

A multidão por ser acéfala dilui as responsabilidades e não teme consequências. Como pinguins antárticos se aglomeram pra resistir juntos ao rigor de uma nevasca, esses associam-se e se aquecem com excitação mútua após qualquer fagulha que acenda sua marcha.  Com razão, pois, diziam os filósofos gregos temerem mais o juízo de meia dúzia de sábios que discursar para uma multidão; dado que, essa é ignorante. 

Se a máxima de um regime democrático é o povo no poder, não o é sem passar por certa assepsia que previne a inflamação das paixões. Assim, temos as “cercas” constitucionais que limitam os atos. Isso, através dos parlamentos que, devem funcionar como conhecedores e preservadores desses limites,  filtros racionais contra a barbárie das paixões.

Acontece que o Decreto de Dilma Roussef instituindo os Conselhos de Participação Popular incentivando a chamada democracia direta violenta à constituição, interfere na competência do Legislativo além de inutilizar a Justiça do Trabalho em prol das tais “mesas” de mediação de conflitos. Se tal Decreto extrapola as funções do Executivo invadindo o Judiciário e usurpando o Legislativo, invés de ampliar a Democracia como alegam seus defensores, tem caráter absolutista, ditatorial.

A participação popular prevista na Lei é por meio de eleições. A implementação desse monstrengo, além de outros males, aumentaria sobremaneira a burocracia e instituiria um assembleismo exacerbado de modo que não teríamos mais tempo para trabalhar de tantos conselhos que teríamos que participar. Afinal,não vamos entregar os rumos do país aos “profissionais” da vadiagem institucionalizada como MST, MTST, CUT, UNE e demais sindicalecos a serviço sempre do PT e satélites.

A União Soviética fez isso; empobreceu uma federação de nações, tolheu paulatinamente, direitos e terminou em totalitarismo assassinando oponentes. Por qual razão quereríamos um modelo assim? O Sonho bolivariano não é desconhecido. Visam formar uma federação de nações Latino-americanas aos moldes soviéticos, coisa já avançada em Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua, Argentina…  agora, a cereja da torta, o Brasil.

Se é essa a ideia do PT, que defenda abertamente na próxima campanha eleitoral que se avizinha. Caso vença a eleição, estará legitimado pela maioria do Povo a levar adiante seu projeto. Agora, aproveitar os dias da Copa e tentar aprovar essa estrovenga autoritária e inconstitucional via decreto, isso não.

Como seria, por exemplo, se um conselho de feministas decidisse pela aprovação do aborto; e outro de religiosos pela preservação da vida desde a concepção, qual prevaleceria?  Talvez você esteja pensando na maioria. Precisamente a escolha da maioria compõe o Congresso Nacional. Como atua cada um após eleito é outro assunto; cabe aos eleitores acompanhar a atuação de seus eleitos.

Aos incautos pode parecer libertário, progressista avançar rumo a tal meta. Acontece que numa escala de zero a cem, minha liberdade não pode extrapolar a cinquenta, em respeito à de meu semelhante que ocupa o espaço restante. Em última análise, a sanha esquerdopata de distribuir riquezas sem fomentar a sua produção acaba distribuindo empobrecimento nacional. De igual modo, turbinar direitos de quem não cumpre deveres acabará represando insatisfações tais, que só o dique da tirania conseguirá conter, a preço de sangue; coisa vigente, aliás, em Cuba e na Venezuela.

Nosso problema não é falta de boas leis, mas, de aplicação imparcial das existentes. Imparcialidade, aliás, é coisa que esse “Cavalo de Tróia” da Dilma desconhece; aparelha o Estado como ramificações do partido apenas, e apelida de democracia, assim, agrada gregos e helenos.

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